8. Tecnologia e manipulação
O novo normal: acordar, pegar o celular que provavelmente está ao alcance de sua mão, olhar as suas últimas notificações, levantar, tomar café enquanto usa o celular, ir até seu trabalho escutando música, ver o jornal online, conversar com os amigos pelo Instagram. A realidade do mundo, pós universalização das ferramentas digitais, foi completamente repaginada. Não há como negar que o advento da universalização da tecnologia foi muito benéfico em certos pontos: temos em poucos segundos diversas informações sobre literalmente qualquer assunto, podemos nos conectar com pessoas ao redor do mundo, temos informações sobre tudo a todo instante. Porém positivo até onde?
Em primeiro plano, vale ressaltar que as redes sociais, mesmo tendo como objetivo primário ser o unificador de diferentes pessoas e tribos, acaba por ser um objeto muito mais decisivo na sociedade, a fonte principal de nosso contato com a realidade. É nas redes sociais que construímos relações interpessoais, criamos nosso gostos e preferências, é onde demonstramos o que somos o que pensamos. Mas aí que começa o problema: tudo que envolve as redes é manipulado, os algoritmos mostram o que queremos ver de acordo com o que escutam de nós, a indústria publicitária nos traz anúncios que pesquisamos, as pessoas publicam fotos modificadas conforme o que querem mostrar ou não. Tudo é customizado para nos trazer um sentimento de pertencimento, para passarmos horas em um feed inesgotável e repleto de coisas que amamos. O vício alienante do século XXI.
Nesse sentido, temos na internet um cenário caótico. Dentre os muitos problemas, vale citar alguns: fotos distorcidas, com corpos irreais - ”photoshopados” - que podem mexer com a autoestima de muitos pessoas. Fake news, que podem correr o mundo inteiro em segundos e mudar o contexto político e social de um país inteiro. Cancelamentos a todo instante, frutos de uma sociedade que julga o próximo e aponta qualquer erro, não percebendo os danos psicológicos que isso pode causar.
A resolução para a problemática não é fácil, apesar dos problemas parecerem ter como resposta a aprimoração de um senso crítico nos usuários na internet, será que é possível que fugir da alienação? Voltaremos a ser os controladores das máquinas ou só continuaremos ser controlados por ela? Seria a aproximação da tal “Revolução dos objetos” citada por Simmel em “Animação cultural”?

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